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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Gluconolactona

A gluconolactona é um polihidroxiácido (PHA), e por isso tem algumas semelhanças com alfa-hidroxiácidos (AHA) como o ácido glicólico. Na presença de água, a molécula desintegra-se formando ácido glucónico, um alfa-hidroxiácido de grandes dimensões e que é também produzido pelo nosso organismo. 

Em alguns casos, este ingrediente pode ser mais vantajoso do que os AHA, já que é mais hidratante e melhor tolerado. Além disso, algumas das suas propriedades biológicas fazem desta uma molécula única e diferenciadora para o uso em cosméticos.



  • Hidratante
O grande número de grupos hidroxilo faz da gluconolactona seja capaz de atrair as moléculas de água, possuindo assim propriedades humectantes.

Isto melhora a função de barreira da pele contra a penetração de agentes nocivos, o que pode ser interessante em algumas situações e patologias em que a pele se encontre mais sensível.

  • Esfoliante
Este ingrediente tem uma ação esfoliante suave, reduzindo a adesão dos corneócitos (células da camada superior da pele), e permitindo assim a sua eliminação. Este é o mesmo mecanismo pelo qual atuam os AHA, sendo que a capacidade esfoliante da gluconolactona é significativamente menor.

No entanto, quando comparado aos AHA este ingrediente é também menos sensibilizante, o que faz com que possa ser usado até pelas pessoas de pele mais sensível ou combinado com produtos contendo outros esfoliantes de forma a potenciar os seus resultados, sem comprometer o bem-estar da pele. 

Vários estudos sugerem que a gluconolactona pode mesmo ser utilizada por algumas pessoas que sofram de rosácea ou dermatite atópica.

  • Antioxidante

Vários estudos indicam que a glucolactona tem propriedades antioxidantes, e por isso é capaz de neutralizar radicais livres formados na pele.

Estes radicais podem acelerar o envelhecimento ou promover o aparecimento de manchas.

  • Comedolítico
Os comedões são obstruções aos folículos pilossebáceos, que podem ser abertos (pontos negros) ou fechados (pontos brancos). São bons meios para o crescimento de bactérias no seu interior, o que pode levar à inflamação do local e desenvolvimento de lesões da acne como pápulas (borbulhas), pústulas (borbulhas com pus) ou nódulos e quistos de grandes dimensões.
Um estudo clínico demonstrou uma atividade ligeiramente menor de uma loção contendo gluconolactona a 14% na redução do número total de lesões inflamadas e não inflamadas (comedões), quando comparada a formulação equivalente com a uma concentração de 5% peróxido de benzoílo, um medicamento comedolítico. Este medicamento pode causar alguma irritação, desidratação e descamação na pele, o que não se observou com esta concetração de gluconolactona.

  • Inibidor da glicação
A glicação consiste na ligação de moléculas de glicose a proteínas do nosso organismo, que dessa forma se tornam anormais e nocivas. Outra consequência da glicação é o amarelecimento da tez, que dá ao rosto um aspeto cansado

Este vídeo ajuda a  compreender melhor a glicação


Uso em cosméticos


  • Esfoliação da pele sensível
A sua ação esfoliante suave associada à capacidade de reforçar a barreira cutânea fazem da gluconolactona um bom ingrediente para o desenvolvimento de produtos esfoliantes dirigidos para pessoas de pele sensível, ou com algum tipo de patologia que impeça o uso de AHA's.

  • Proteção contra os efeitos da radiação solar
Um estudo clínico sugere que a utilização deste ingrediente numa concentração de 8% permite reduzir os efeitos nocivos da radiação sobre as células da pele.

Assim, a gluconolactona é um ingrediente interessante a acrescentar em protetores solares ou em outros produtos de uso diário.

  • Acne
Esta molécula é também adicionada a produtos destinados ao tratamento da acne pela sua ação esfoliante, que ajuda na redução da hiperqueratose existente, mas também pelas suas propriedades comedolíticas e antioxidantes, que mostraram atenuar tanto as lesões inflamadas como as não inflamadas.

Além disso, o uso da gluconolactona parece ser bem tolerado por pessoas que façam tratamento para este problema usando medicamentos sensibilizantes como o peróxido de benzoílo ou retinóides. Isto permite que seja feita uma esfoliação ligeira, que irá reduzir a comedogénese e a hiperqueratose sem provocar irritação.

  • Redução da hiperpigmentação

As suas propriedades esfoliantes e protetoras contra a radiação UV associadas às ações antioxidantes e inibidoras da glicação fazem da gluconolactona um bom candidado para auxiliar na formulação de produtos destinados à eliminação das manchas.

  • Combate ao envelhecimento
Alguns estudos clínicos demonstram também que este ingrediente atua na melhoria sua textura da pele envelhecida, bem como noutros sinais de envelhecimento, atenuando assim a falta de firmeza e aparência das rugas e linhas de expressão na pele.

Os efeitos revelados podem dever-se também às ações esfoliante e inibidora da glicação, protetora contra a radiação UV e antioxidante. No entanto estes resultados não provêm de estudos independentes, nem são suficientemente significativos para justificar o uso isolado deste ingrediente.


  • Rosácea
Um estudo demonstrou que a adição de um produto de limpeza contendo gluconolactona a 4% e de um hidratante com uma concentração 10% deste ingrediente ao tratamento da rosácea com ácido azelaico a 15% permitiu reduzir a vermelhidão, e a secura da pele, em comparação com um grupo controlo.

Este efeito dever-se-à às propriedades hidratantes e de reforço de barreira deste ingrediente, e sugere mais uma possível aplicação da gluconolactona em cosmética.

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