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domingo, 2 de setembro de 2018

The Ordinary & cia| Opinião, onde comprar & alternativas

Quando penso no conceito da marca "The Ordinary", ocorre-me a palavra democracia. Porque para mim, enquanto consumidora; é esse o conceito que esta marca representa: a possibilidade de aceder a produtos com percentagens eficazes de ingredientes ativos de qualidade, a um preço muito reduzido. 

Mas o que para mim é democratização; para muitas pessoas é tão e somente confusão.

Por isso, dou-vos a minha opinião pessoal relativamente este tipo de produto, falo-vos de novas marcas que seguem esta corrente e poderão interessar (sobretudo para quem decidiu boicotar a marca por conta dos últimos escâncalos).


A The Oridinary nasceu pelas mãos da DECIEM, que antes disso detinha a já conhecida Hylamide.

Foi talvez a primeira marca a introduzir este conceito na indústria cosmética com grande impacto, e na minha opinião fê-lo de forma genial: Em vez de procurar ingredientes "novos", como algumas marcas de nicho fazem grande sem grande sucesso (baixo orçamento para R&D); a The Ordinary pegou nos mais "banais" mas eficazes ingredientes cosméticos, formulou-os de forma isolada ou em pequenas conjugações; conseguindo assim vende-los a um preço que não só é justo como é também acessível à maioria dos orçamentos. 

Ora disto toda a gente já sabe. 

Mas são precisamente estes os motivos que levam às principais desvantagens desta marca e das suas sucedâneas.

Assim, deixo-vos um apanhado dos pontos que devem pesar antes de pensar em adquirir um produto destas marcas:

  • Dificuldade na escolha
Como é que normalmente escolhem os vossos produtos? 

Muitas pessoas vão pela embalagem, pela fragrância, pelo preço... Mas quem se interessa por cosmetica valoriza sobretudo a ação "prometida" pelo produto: as alegações. Ora, a menos que já percebam alguma coisa de cosmética e tenham o cuidado de consultar o site destas marcas com atenção; dificilmente saberão para que é que cada um dos produtos serve. 

Eu própria tenho muitas dificuldades em grande parte deles!


  • Probabilidade de ocorrerem efeitos indesejados
Embora os produtos tenham geralmente 1-2 ingredientes ativos, as suas concentrações tendem a ser elevadas; o que aumenta a probabilidade de a pele reagir de forma negativa; sobretudo se for sensível.

Além disso, pelo facto de os produtos serem tão baratos pode haver alguma tentação em comprar mais do que um; e usá-los em simultâneo. Mais uma vez, meio caminho andado para a pele ficar louca. Infelizmente, e no caso particular da The Ordinary; a própria marca fomenta isto em alguns aconselhamentos que faz no apoio ao cliente.

  • Galénicas
Não sei se já repararam, mas a maioria dos produtos tratam-se de simples soluções (ingredientes dissolvidos), suspensões (ingredientes homogeneizados num veículo no qual são insolúveis) ou pó (basicamente, matéria-prima reembalada... sim, isso mesmo.). Aqui excluem-se obviamente os protetores solares. 

Este é outro dos fatores que explica o baixo preços destes produtos, já que a estas galénicas de produção se associa um número de ingredientes reduzido, ingredientes esses que são tendencialmente baratos.

Por isso, se valorizam o aspeto sensorial dos vossos produtos este é um ponto em que poderão não ficar tão satisfeitos.

Também neste ponto é importante considerar que alguns dos ingredientes ativos usados poderão necesitar de veículos um pouco mais elaborados para exercer a sua ação, ou provocar menos reações de intolerância. Não quero com isto dizer que pode haver produtos da marca que não são eficazes, por simplesmente não sei. Mas a preços tão reduzidos, poderá dar-se o caso de alguns ingredientes não desempenharem uma ação tão interessante como por exemplo se estivessem encapsulados. Mas mais uma vez, isso paga-se; e esse não é o objetivo deste tipo de marca.

  • Produtos pouco interessantes (para "encher" a rotina?)
Aqui falo especialmente da The Ordinary. Mesmo o portefolio inicial, que era na sua grande parte muito interessante; tinha já alguns produtos redundantes (quem precisa/consegue escolher entre de 4 formas diferentes de vitamina C?). Mas o número de produtos alternativas não pára de crescer, muitas vezes sem se perceber, mais uma vez; para que servem as novas formulações. 

Todas as marcas acabam por fazer isto até um certo ponto. Mas neste caso temos que adicionar o fator preço à equação. E isto pode não só reforçar a probabilidade de ocorrerem efeitos indesejados, já que incita o consumidor a comprar (porque afinal de contas é barato) e a misturar o produto com  tantos outros.

Na minha opinião, isto mostra também alguma falta de rigor científico. Mas isso acaba por ser pouco importante na ótica do consumidor médio, e admito que possa ser até uma crítica uma pouco injusta quando estamos a falar de uma empresa privada de produtos cosméticos, e que no limite pode fazer aquilo que quiser (dentro da legalidade).


"Não percebo nada. 
Como posso escolher o produtos adequados para mim?"

Não me vou alongar neste ponto porque tenho duas colegas que já o fizeram e muito bem:
Estes guias podem não conter os últimos lançamentos, mas sinceramente também não importam muito...


Onde comprar The Ordinary?

Além do site oficial da marca, que se não envia para todo o mundo anda lá perto; podem encontrar aqui:

Marcas alternativas

Se estão por dentro de todo o drama da marca e não querem comprar mais nada vindo do shôr Brandon; já podem encontrar outras marcas com este mesmo conceito

Imagem de Harpers Bazaar

Disponível na Victoria Health, um dos primeiros retailers da The Ordinary.

Disponível na Primor, e que não é nada mais nada menos do que uma cópia da marca original.


Disponível no site oficial e na FeelUnique. De salutar o facto de não usarem droppers!


O que muda a partir de agora?

Não sei quanto tempo esta moda vai durar, nem tão pouco se surgirão mais marcas nesta linha (imagino que sim). Mas acredito que atualmente os consumidores estão mais atentos e exigentes relativamente à composição dos seus produtos, com tudo o que de bom e mau isso acarreta:

Por um lado, começamos a ver as algumas grandes marcas a apostar em concentrações mais eficazesde ingredientes ativos, a  serem transparentes em relação às listas de ingredientes dos seus produtos, e a "cortar" nas patentes que pouco importam.

Por outro lado, temos consumidores a medir o pH dos seus produtos (sem perceber o que isso significa), a julgar aquilo que compram tão e somente pela composição (sem considerar a forma como os ingredientes ativos são veiculados, algo que nunca saberão), e a considerar que todos os produtos cosméticos deveriam custar este preço.

Na verdade, só este tipo de marca com uma estratégia de formulação muito simplista conseguirá manter preços tão baixos. E nem sempre estes produtos serão os mais eficazes para todas as pessoas, visto que questões como a hiperpigmentação (manchas), sensibilidade, rosácea, etc. exigem estratégias mais "refinadas".

Se têm pouca experiência nestas lides, mas querem uma boa relação qualidade/preço; recomendo-vos a continuarem a apostar em marcas reputadas como a La Roche Posay, Bioderma, CeraVe, Sesderma, SVR ou Martiderm.

No geral, penso que o balanço é positivo. Cabe a nós enquanto consumidores, mais uma vez; saber avaliar as nossas escolhas. :)

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