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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Antioxidantes | o que são, mitos, e onde encontrá-los!


A Marta do Sailor Skin Lefay deu o mote, e eu ajudei!

Os antioxidantes já estão "na moda" há alguns anos.  E embora tenham benefícios indiscutíveis para a nossa saúde, inclusivamente para a pele; as suas ações são muitas vezes extrapoladas, e muitas vezes encaradas como uma cura para todos os males.

Nesta publicação tentámos falar da interação entre a pele e os antioxidantes de uma forma global, mantendo uma linguagem simples e compreensível.




O que são, como funcionam

O nosso corpo está diariamente exposto a múltiplos radicais livres; quer por produção dos mesmos, quer pela presença destas moléculas no ambiente. Os radicais livres são muitas vezes derivados do oxigénio, sendo os aniões superóxido (O2-) e hidroxilo (OH-)  especialmente relevantes. Em quantidades reduzidas, os radicais livres podem ser benéficos, e são mesmo essenciais para o bom funcionamento e adaptação do organismo face ao meio ambiente. No entanto, estas moléculas são altamente reativas; uma vez que se propagam e multiplicam rapidamente; podendo degradar permanentemente as paredes celulares, organelos, proteínas do citoplasma e até o DNA que se encontra no núcleo celular. Os radicais livres contribuem também para a formação de produtos avançados da glicação (AGE’s), o que na pele se traduz na degradação do colagénio e da elastina.



E é como mecanismo de regulação dos efeitos destes radicais livres que os antioxidantes assumem uma importância tão grande, sendo também eles fundamentais para a existência de vida!

Estas substâncias podem ter origem natural ou sintética, sendo que a sua função será de atrasar ou inibir a oxidação de um substrato oxidável, que pode ser um qualquer componente da célula supracitado.

Tendo em conta a importância simultânea de radicais livres e antioxidantes, em condições normais estes encontrar-se-ão em equilíbrio:



Quando este equilíbrio é perturbado e a balança pende para um excesso de radicais livres, ocorre Stress Oxidativo, que para além de ser prejudicial para a integridade e funcionalidade das células, também pode desencadear uma resposta inflamatória. Na pele, o stress oxidativo contribui para a irritação, formação de rugas, perda de firmeza e elasticidade; a par da formação de irregularidades na pigmentação.

Sendo a pele o órgão que está mais exposto ao ambiente exterior, não será de admirar que os antioxidantes tenham uma importância especial na preservação da sua saúde!

Contudo, os antioxidantes não são todos iguais nem protegem da mesma forma, e por isso diferentes moléculas antioxidantes podem atuar de forma preferencial em estruturas distintas da  nossa pele.

  • Defesas antioxidantes naturais
Não podemos falar de antioxidantes sem falar dos mecanismos de defesa contra a oxidação que o nosso organismo tem!

Podemos então falar em vários tipos de defesa antioxidante, sendo que estes poderão classificar-se em diferentes linhas de defesa consoante a sua ordem de ação:

  • Enzimas neutralizadoras dos radicais livres: são a primeira linha de defesa do nosso organismo; e aquela que é também mais difícil de preservar! Entre elas destacam-se a catalase, superóxido dismutase e glutationa peroxidase.Alguns hábitos como a prática de exercício físico regular ou a uma ingestão proteica adequada (sobretudo dos aminoácidos cisteína;  e que existem principalmente em alimentos de origem animal) contribuem para a preservação deste sistema antioxidante natural.
  • Moléculas de ação antioxidante: são a segunda linha de defesa, e podem ser produzidas endogenamente (pelo corpo) ou obtidas da alimentação. Estas moléculas cedem um eletrão ao radical livre, o que neutraliza este último e faz com que a própria molécula forme também um radical; sendo que este será significativamente menos reativo. Entre as moléculas antioxidantes encontram-se a vitamina C, vitamina E, selénio, carotenoides (vitamina A, astraxantina, etc.), polifenóis (flavonóides, resveratrol, catequinas), entre muitas outras substâncias!
  • Enzimas reparadoras: que atuam sobre o dano causado, e por isso são a terceira linha de defesa. Entre elas destacam-se a fotolíase, nucleases, proteases, e muitas outras
  • Sinais adaptativos: a quarta linha de defesa, e que se caracteriza pela deteção do dano resultante da ação dos radicais livres seguida do reforço dos antioxidantes indicados nos locais onde são necessários.
Mitos

É importante perceber que os antioxidantes não são ingredientes milagrosos, e que a sua ação será maioritariamente preventiva (com a exceção para as moléculas que têm ainda outras ações biológicas). Assim, é importante reforçar alguns pontos:

  • “Os radicais livres são maus!”

Depende do contexto! A verdade é que a produção de radicais livres é um processo natural de diversas vias metabólicas que ocorrem das nossas células, sendo também essencial como uma das primeiras linhas de defesa do nosso sistema imunitário. Assim, os radicais livres só serão nocivos quando há uma produção ou exposição a estas substâncias numa proporção que o nosso organismo é incapaz de contrabalançar.

  • “Quanto mais antioxidantes melhor!”

Como podem imaginar depois da resposta anterior, também neste caso nem sempre será assim! Embora os antioxidantes sejam considerados bons ingredientes, estes podem ser também nocivos quando estão presentes em quantidades excessivas. Na verdade, sempre que o equilíbrio radicais livres/antioxidantes é perturbado haverá uma resposta em sentido contrário. E quando há antioxidantes a mais… temos stress redutor! 

Neste caso, a “falta”de radicais livres no nosso organismo impede que este produza adaptações necessárias ao meio ambiente que nos encontramos; e que passam por exemplo pela produção das enzimas naturais que nos protegem contra os radicais livres. Isto foi provado especificamente a nível cardíaco, e para a capacidade adaptativa do organismo após prática de exercício físico. 

No que à pele diz respeito, não haverá evidência suficiente para demonstrar que ocorre algum fenómeno equiparável. Pelo contrário, e quando os antioxidantes são aplicados em quantidades moderadas; muitos estudos indicam que a sua aplicação tópica poderá ser benéfica a longo prazo. Contudo,a sobreposição de vários produtos com elevada ação antioxidante poderá não ser interessante, e é pode eventualmente até vir a revelar-se contraproducente. Por isso, e quanto mais não seja para evitar desperdícios; o ideal será escolher um bom produto que contenha ingredientes de ação antioxidante, e usá-lo de forma consistente.

Antioxidantes e a pele

Existe uma enorme variedade de ingredientes cosméticos com ação antioxidante, e se pensarmos que cada extrato natural é constituído por uma mistura de muitas destas moléculas, o número de ingredientes com este potencial torna-se ainda maior!

Apesar disso; as moléculas antioxidantes bem estudadas são poucas; e por isso aquela cuja ação se encontra bem documentada deverão ser as nossas principais eleitas na escolha de produtos cosméticos.

Não é possível abordar todos os ingredientes relevantes neste sentido, e por isso destacámos os principais:

O antioxidante mais conhecido é sem dúvida a Vitamina C. A forma pura é a mais estudada e fundamentada, o ácido L-ascórbico; sendo também utilizado pela sua capacidade de inibição da síntese de melanina, o que ajuda a uniformizar o tom da pele; e por por ter ação estimulante sobre os fibroblastos; o que ajuda a suavizar as rugas e linhas de expressão,contribuindo também para uma maior firmeza cutanea. Esta forma pura de vitamina C pode ser  estabilzada quando aliada a outros antioxidantes; uma vez que o ácido ascórbico é bastante instável. Também por esta razão, é aconselhável o seu armazenamento em embalagem opacas, “airless” e de preferência, guardada em locais frescos. Para contornar estas limitações, existem formas mais estáveis de Vitamina C; e que são por exemplo, o ascorbil fosfato de sódio, palmitato de ascorbilo, glucósido de ascorbilo e fosfato de ascorbilo e magnésio, ácido 3-o-etilascórbico, entre outros.

A Vitamina E (tocoferol) é um dos principais antioxidantes lipossolúveis na pele e tem um papel importante na defesa das membranas celulares, atenuação da  inflamação, e promoção da hidratação. Por estes motivos, é muito utilizada em protetores solares. A associação com vitamina C aumenta a estabilidade da vitamina E, potenciando o benefício de ambos os antioxidantes.


O resveratrol por sua vez é uma molécula antioxidante que tem vindo a ser cada vez mais utilizada em produtos cosméticos, não só por ajudar a proteger a pele dos efeitos nocivos dos radicais livres mas também pela sua capacidade de atuar sobre as sirtuinas, um conjunto de proteínas envolvidas em diversos processos celulares, e entre os quais se encontra por exemplo a reparação do DNA.

A vitamina A também é um antioxidante bem conhecido; podendo apresentar diversos derivados: beta-caroteno, retinol, etc. Este ingrediente é muito utilizado em cosmética pela sua eficácia comprovada na estimulação da produção de colagénio ou pela sua capacidade de promover a renovação celular, entre outras ações. A longo prazo, a sua utilização permite combater as rugas e linhas de expressão; mas também a aparência dos poros, excesso de oleosidade ou textura irregular. 

Além destes antioxidantes, existem muito outros que são utilizados em produtos cosméticos quer na sua forma pura, quer em extratos vegetais. De entre as plantas onde encontramos os extratos mais poderosos desatacam-se o chá verde, feto, videira, oliveira e açai.



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