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sábado, 13 de maio de 2017

"Alergia ao sol": lucite estival benigna


Primeiro dia de praia: algumas horas depois de se estenderem ao sol, a pele do peito começa a ficar com bastante comichão, vermelha e quente. Mais tarde, aparecem até algumas borbulhas! Mas como é possível, se nem sequer deu tempo para queimar? 

Para muitas pessoas, este é um cenário que pode variar um pouco, mas bem conhecido.


O que é?

A lucite estival benigna, também conhecida como "alergia ao sol" (que não é bem a mesma coisa) é a dermatose solar mais comum.

Afeta uma percentagem significativa da população, sendo mais comum nos climas temperados, e entre as mulheres dos 20 aos 40 anos. Geralmente ocorre no primeiro dia de elevada exposição solar, na Privamera ou Verão, após um longo período sem exposição nas zonas sensíveis.


O que acontece?

Pensa-se que após um grande período sem exposição solar, e em pessoas predispostas, a radiação UV seja capaz de alterar algumas moléculas presentes na pele, fazendo com que estas sejam reconhecidas como moléculas estranhas pelo sistema imunitário. Nesta situação, desenvolve-se uma reação inflamatória que provoca os sintomas acima descritos.

Por outro lado, pensa-se também que estas pessoas poderão ser mais resistentes ao efeito supressor da imunidade que o sol tem sobre a nossa pele. Isso poderá explicar porque é que nem toda a gente sofre este tipo de reação aquando da primeira exposição destas zonas ao sol.

A maioria das pessoas que exibem esta reação parece ser mais sensível à radiação UVA, sendo que existem também pessoas cuja pele se torna relativa após a exposição aos UVB e a ambos os tipos de radiação UV.



Como se manifesta?

A reação surge essencialmente em zonas que no nosso dia-a-dia se encontram protegidas do sol, sendo mais comum no peito, costas, braços, coxas, e pescoço.

Os sintomas podem variar bastante de pessoa para pessoa, mas habitualmente ocorre uma comichão intensa, vermelhidão, e desenvolvem-se pequenas borbulhas com algum relevo, às vezes semelhantes a picadas de insetos. Em algumas pessoas, podem inclusivamente formar-se bolhas.

Geralmente estes sintomas desaparecem em alguns dias, mas podem demorar no máximo até duas semanas a passar por completo.


Como prevenir?

A melhor forma de prevenir o aparecimento desta dermatose passa por evitar a exposição solar nas zonas predispostas, quer optando por utilizar roupas mais escuras e protetoras, quer evitando o sol.

No entanto nem sempre é fácil ou possível fazê-lo, e nesses casos pode ser também interessante expôr a pele de forma lenta e gradual, antes de passar grandes períodos de exposição direta ao sol.

Além destas, podem tomar-se também outras precauções:
  • Protetor solar
Os protetores solares são a primeira forma de proteção, e uma vez que na maioria destes casos a radiação UVA é a principal desencadeadora, é mais interessante optar pela proteção SPF50+, e um estudo clínico já demonstrou isso mesmo. Isto deve-se ao facto de por imposição legal, quanto maior for a proteção UVB (SPF), maior terá que ser a proteção UVA.

É importante ter em mente que a renovação da aplicação do protetor solar a cada 2h e após o banho e limpeza com a toalha é essencial para que o efeito deste produto se mantenha.

Deixo-vos alguns protetores solares com proteção UVB e UVA bastante elevada:
  • Suplementação
Quando a protecção solar está garantida, e nos casos de sintomatologia mais severa, pode ser interessante optar por um suplemento alimentar que confira alguma proteção adicional. Estes suplementos não substituem de forma alguma um protetor aplicado à superfície da pele.

Até hoje, existem já estudos clínicos para algumas substâncias com ação fotoprotetora, nomeadamente.
  • Extrato de Polypodium leucotomos (Heliocare)
  • Associação licopeno, beta-catoreno e Lactobacillus johnsonii (Inneov)


O Heliocare Ultra-D contém também vitamina D e um mistura de antioxidantes que vão ajudar a conferir uma maior resistência à pele face à exposição solar.

Relativamente ao Innéov, e por conter uma elevada concentração de beta-caroteno face àquela que encontramos nos alimentos, a sua toma não é aconselhada a quem fuma um grande número de cigarros diariamente.
  • Outras soluções cosméticas
Também alguns estudos demonstraram já que a aplicação na pele de formulações contendo enzimas reparadoras do DNA estabilizadas e de produtos contendo vitamina D podem ser interessantes para a prevenção da ocorrência destas dermatoses.


Como tratar?

Depois do aparecimento das erupções, a toma de um antihistaminico poderá ajudar a aliviar a sintomatologia, mas muitas vezes não será suficiente. Nesses casos, será necessário recorrer a um médico que prescreva um anti-inflamatório ou outra classe de medicamento mais eficaz.

Como adjuvantes, podem ser utilizados cosméticos com ação calmante e refrescante (evitando se possível óleos essenciais, mentol, eucaliptol, etc.) ou águas termais.

É um problema crónico?

Não! 

À medida que o tempo passa após a primeira "crise", a pele tende a ganhar alguma tolerância, torna-se cada vez menos provável o aparecimento destas lesões, que quando aparecem tendem a ser menos graves.

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