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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Resveratrol

Esta substância começou a chamar a atenção por volta dos anos 90, quando se verificou o paradoxo francês: uma baixa incidência de doenças cardiovasculares em determinadas populações de França com uma alimentação rica em gorduras, mas que consomem vinho tinto com alguma regularidade.

O resveratrol é um polifenol da família dos estilbenos que pode ser encontrado em várias plantas, mas está presente em concentrações mais elevadas nas uvas tintas, especialmente na pele do fruto onde protege as sementes da radiação solar, de infeções microbianas e de poluentes ambientais que promovem o stress oxidativo.


Esta molécula é também utilizada em inúmeros cosméticos com o objetivo de retardar o envelhecimento da pele. 

Sabem porquê?


Funções

  • Antioxidante e "anti-tumoral"
O resveratrol é capaz de prevenir os danos provocados pelos radicais livres inativando-os e tornando-os inofensivos. 

Paralelamente, parece que esta molécula é também capaz de estimular a produção das enzimas responsáveis por proteger o nosso organismo deste tipo de agressão.

Por outro lado, em estudos realizados em ratinhos, o resveratrol mostrou ainda ter a capacidade de inibir as fases de iniciação, promoção e progressão da carcinogénese, contribuindo para reduzir o aparecimento de tumores.

Naturalmente estes factos não são suficientes para concluir que o resveratrol possa evitar e muito menos curar doenças cancerígenas. Mas a combinação das suas ações antioxidante e "anti-tumoral "poderão complementar um estilo de vida que evite a incidência deste tipo de doença.

  • Ativação das sirtuínas
Estas proteínas têm como principal função silenciar a expressão de determinados genes e podem ser ativadas em situações de restrição calórica, provocando uma série de respostas no nosso organismo que ajudam a manter uma concentração normal de açúcar no sangue.

A longo prazo, uma ativação constante e generalizada das sirtuínas contribui para uma menor incidência de doenças cardiovasculares, cancro, e uma série de patologias de cariz inflamatório, promovendo assim um aumento da longevidade.

  • Redução da inflamação
Quando controlada, a inflamação é um processo benéfico e que ajuda o organismo a recuperar de uma lesão ou infeção. No entanto, a inflamação crónica pode ser prejudicial para os próprios tecidos  se pretende proteger.

O resveratrol pode atenuar a inflamação cutânea de duas formas: como antioxidante, mas também inibindo a atividade de algumas enzimas pró-inflamatórias.

  • Fitoestrogénio
Sabe-se que após a menopausa a síntese de colagénio pela pele reduz aproximadamente 1% por ano, o que resulta num afinamento da derme, perda de firmeza e aparecimento de rugas. redução da concentração sanguínea de estrogénios. Para reduzir significativamente os sintomas da menopausa,  entre os quais se encontra o envelhecimento mais acentuado da pele, pode ser prescrita uma terapia de substituição hormonal que consiste na toma de medicamentos que simulam a ação dos estrogénios naturais. 

Por sua vez, o resveratrol é uma molécula com estrutura muito semelhante à de um estrogénio sintético, e mostrou mimetizar os efeitos dos estrogénios naturais. Contudo, os efeitos do resveratrol nunca serão comparáveis àqueles que se conseguem através da toma de medicamentos de substituição hormonal, e ainda menos por aplicação de cosméticos à superfície da pele.
  • Inibição da tirosinase


A estrutura química desta molécula permite que possa também inibir a tirosinase, a enzima principal na síntese de melanina. Ainda assim, esta atividade inibitória é relativamente moderada quando comparada à de outros flavonóides e classes de moléculas capazes de inibir esta enzima.


Uso em cosmética

  • Anti-envelhecimento

O facto de o resveratrol ser um fitoestrogénio somado às suas ações antioxidante, redutora da inflamação e ativadora das sirtuínas colocaram esta substância na mira para o tratamento e prevenção do envelhecimento da pele.

  • Complemento no tratamento da hiperpigmentação
A combinação de alguma capacidade de inibição da tirosinase por parte do resveratrol com as suas atividades antioxidante e redutora da inflamação fazem desta molécula uma candidata interessante para a formulação de produtos despigmentantes. Contudo, é de realçar que o resveratrol por si só não será suficiente para conseguir resultados satisfatórios na redução das manchas.

Limitações

O resveratrol apresenta alguns desafios na formulação de cosméticos. Por um lado, trata-se de uma molécula pouco solúvel em água, que é o principal veículo da maioria dos produtos cosméticos. Por outro lado, e quando exposto à luz ultravioleta, o resveratrol tende alterar a sua estrutura tomando uma forma que é menos benéfica para a pele.

Estes dois problemas fazem com que seja difícil formular produtos com concentrações elevadas deste ingrediente em que o mesmo esteja estabilizado.


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